As constantes faltas de abastecimento de água nos municípios da Serra Gaúcha pautaram a assembleia do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) com representantes da Corsan/Aegea. O encontro reuniu prefeitos, técnicos e dirigentes municipais que relataram uma série de problemas enfrentados pelas comunidades atendidas pela companhia.
Durante a abertura da reunião, o presidente do consórcio e prefeito de Fagundes Varela, Nelton Conte, afirmou que o tema é sensível e exige encaminhamentos concretos. Segundo ele, os municípios não aceitam mais apenas reuniões e promessas, cobrando soluções efetivas para os problemas recorrentes de abastecimento.
Ao longo da assembleia, representantes do CISGA destacaram que a situação da prestação de serviços na região “está um caos”, citando episódios frequentes de falta de água em municípios como Flores da Cunha, Veranópolis, São Marcos, Antônio Prado, Farroupilha, Nova Prata, Guaporé, Vila Flores, Garibaldi e Nova Roma do Sul.
Os prefeitos também demonstraram preocupação com o cumprimento das metas previstas no marco legal do saneamento, especialmente as exigências previstas para 2028 e 2033. Conforme os gestores, os municípios poderão ser responsabilizados futuramente caso os índices de universalização não sejam atingidos.
Um dos momentos mais contundentes da reunião foi a manifestação do prefeito de Veranópolis, Cristiano Dal Pai, que afirmou que os municípios vivem uma situação insustentável. Segundo ele, os problemas não estão relacionados a vazamentos pontuais, mas à falta de investimentos, à demissão de funcionários experientes, à deficiência operacional e à precariedade dos sistemas.
O prefeito relatou ainda que o Hospital Comunitário de Veranópolis, Cristiano Dal Pai, chegou a ficar sem água, obrigando a adoção de medidas emergenciais para garantir o abastecimento da unidade de saúde. Conforme ele, bairros inteiros precisaram ter o fornecimento interrompido para que o hospital pudesse ser atendido.
Já o prefeito de Antônio Prado, Roberto Dale Molle apresentou relatórios da agência reguladora apontando irregularidades em estações de tratamento, incluindo armazenamento inadequado de produtos químicos, problemas estruturais e falhas operacionais.
Os prefeitos também criticaram a demora nos atendimentos, a falta de equipes técnicas nos municípios e a dificuldade de comunicação com a companhia. Diversos gestores afirmaram que as reclamações da população acabam sendo direcionadas diretamente às prefeituras.
Também houve forte crítica à priorização de investimentos em outras regiões enquanto a Serra Gaúcha enfrenta dificuldades constantes.
O prefeito de São Marcos, Volmir Rech, apresentou uma experiência considerada mais avançada, relatando que o município conseguiu construir um plano de ação junto à Corsan, Ministério Público e agência reguladora, estabelecendo encaminhamentos objetivos para enfrentar os problemas locais. A sugestão foi utilizada como exemplo para os demais municípios, indicando a necessidade de criação de planos individualizados por cidade.
Na mesma linha de preocupação, manifestaram-se os prefeitos de Flores da Cunha, César Ulian; de Guaporé, Odair Rossetto; de São Jorge, Danilo Salvalaggio; de Paraí, Gilberto Zanotto; e de Carlos Barbosa, Everson Kirch.
Representando a Corsan/Aegea, integrantes da equipe regional reconheceram os problemas e afirmaram que a empresa está promovendo reestruturações operacionais, revisão das microrregionais, investimentos em automação e elaboração de diagnósticos técnicos em diferentes municípios.
Ao final da reunião, ficou encaminhado que a Corsan/Aegea realizará reuniões técnicas individualizadas com os municípios nas próximas semanas para elaboração de diagnósticos e construção de planos de ação específicos para cada localidade. Também foi sugerida a participação da agência reguladora AGESAN na revisão desses planos. Os prefeitos reforçaram que esperam soluções efetivas e não apenas novos debates, alertando que a pressão das comunidades vem aumentando e poderá resultar em medidas judiciais e administrativas mais severas caso os problemas persistam.