Servidores da área de Serviço Social dos municípios vinculados ao Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) se reuniram, na segunda-feira, 23 de março, para discutir a implantação de uma casa de acolhimento regional voltada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O encontro destacou a urgência da criação de uma estrutura própria para atender à demanda crescente na região.
A reunião deu continuidade a debates iniciados ainda em janeiro, quando, em formato virtual, já havia sido apontada a ausência de um espaço adequado para acolhimento. Desde então, os municípios levantaram dados que evidenciam altos custos com serviços realizados fora da região — realidade que tem pressionado as administrações locais a buscar uma solução conjunta.
Durante o encontro, os participantes ressaltaram que a proposta prevê a criação de uma unidade com capacidade aproximada de 20 vagas, seguindo as normativas vigentes e priorizando um atendimento humanizado. A ideia é que o espaço funcione como um ambiente residencial, garantindo dignidade e qualidade no cuidado, e não apenas como local de permanência temporária.
Também foram debatidos aspectos técnicos e operacionais, como a formação de uma equipe mínima composta por coordenação, assistente social, psicólogo e profissionais de apoio. O grupo analisou ainda os custos de manutenção, estimados em cerca de R$ 2 milhões por ano, valor que poderá ser reduzido conforme o número de municípios participantes do projeto.
Entre os modelos de gestão discutidos estão a execução direta pelos municípios, a terceirização via licitação ou a adoção de um formato híbrido. Experiências de outros consórcios foram citadas como referência, especialmente no que diz respeito aos desafios de qualificação das equipes e à necessidade de fiscalização contínua dos serviços prestados.
A definição de um imóvel adequado foi apontada como etapa fundamental para o avanço do projeto. Entre as possibilidades estão a locação, o uso de prédios públicos ou a adaptação de estruturas existentes. O espaço deverá atender a critérios específicos, com características que favoreçam o acolhimento e o bem-estar dos usuários.
Além disso, foi debatida a implementação do serviço de família acolhedora como estratégia complementar. Apesar de reconhecida como alternativa importante, a modalidade apresenta limitações, especialmente no atendimento a adolescentes.
Como encaminhamento, foi criada uma comissão de trabalho formada por representantes dos municípios de Antônio Prado, Nova Prata, Flores da Cunha e Veranópolis. O grupo será responsável por elaborar uma proposta técnica detalhada, incluindo modelo de gestão, custos e minuta de formalização do serviço.
A expectativa é que o projeto estruturado seja apresentado aos gestores municipais até meados de abril. Até lá, os participantes também deverão colaborar na busca por um imóvel adequado e na análise de possíveis parcerias.
Ao final da reunião, foi reforçada a complexidade do tema e a necessidade de planejamento conjunto entre os municípios, respeitando as normativas legais e garantindo a efetividade da futura casa de acolhimento regional.