O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) através do diretor executivo, Rudimar Caberlon, participou da missão técnica a Santa Catarina que teve por objetivo conhecer o sistema antigranizo instalado naquele Estado, que tem o intuito de proteger a fruticultura catarinense dos efeitos do granizo. O Rio Grande do Sul estuda a possibilidade de implantar o sistema na Serra gaúcha, principalmente para proteção da vitivinicultura gaúcha.
Para o CISGA, a iniciativa é estratégica para o futuro da produção regional. O Consórcio manifesta apoio à implantação do sistema no Rio Grande do Sul, por entender que se trata de uma ferramenta fundamental para mitigar perdas causadas por eventos climáticos extremos, garantir maior segurança aos produtores e fortalecer a sustentabilidade econômica dos municípios da Serra Gaúcha. Segundo a entidade, o sistema antigranizo representa um avanço importante na política de prevenção, reduzindo prejuízos recorrentes e contribuindo para a estabilidade da cadeia produtiva.
As visitas aconteceram na quarta-feira (21/1) e quinta-feira (22/1) nos municípios catarinenses de Fraiburgo, Videira e Caçador.
No primeiro dia, a comitiva conheceu, em Fraiburgo, o funcionamento do gerador de solo com queima de iodeto de prata que diminui o tamanho das pedras de gelo, a partir da emissão do produto para a atmosfera. O grupo foi recebido pelo meteorologista da empresa AGF, João Rolim, que opera os geradores e o monitoramento climático em Santa Catarina. Atualmente são 170 geradores de iodeto espalhados no Estado. Também conheceram o trabalho da empresa Fischer, que atua na produção de maçã, e que utiliza o sistema antigranizo como forma de proteção das plantas.
O roteiro também englobou a visita, no município de Videira, na Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), onde o grupo conheceu as estações de pesquisa em vitivinicultura. As agendas encerraram na Prefeitura de Caçador, onde foram recebidos pelo prefeito Alencar Mendes, para conhecer a parte administrativa, jurídica e econômica do projeto de antigranizo que funciona hoje na cidade.
De volta ao Rio Grande do Sul, o grupo irá se reunir para avaliar as informações coletadas e iniciar tratativas com o Executivo estadual, com o objetivo de estudar formas de viabilizar a implantação do sistema.
A Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) liderou uma missão técnica. O secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, liderou a comitiva, junto com a equipe técnica da Secretaria, e contou com a representação de 21 municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil do Estado e de Sindicatos Rurais e de Seguradoras.
Madalena destacou que a partir da demanda recebida do setor vitivinícola da Serra Gaúcha, no sentido de implementar um sistema antigranizo no estado do Rio Grande do Sul, a Secretaria da Agricultura decidiu aprofundar a discussão, tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista de capacidade de implementação. “O granizo é certamente um dos problemas que traz muito prejuízo ao setor produtivo e à sociedade como um todo. Aqui no Estado vizinho pudemos realizar uma imersão e conhecer com uma profundidade técnica, como funciona, e como Santa Catarina utiliza esse sistema com o intuito de combater e de mitigar os efeitos do granizo na fruticultura”, enfatizou.
O secretário ainda ressaltou que se pode avançar nas discussões de modelos de implementação do projeto, tanto com a realização de convênios quanto em parcerias com o setor privado.
Uma das alternativas em estudo é a implantação do sistema por meio de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura. Presente no encontro, o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis), Luciano Rebellatto, - entidade que possui termo de colaboração para viabilizar ações de fomento por meio do fundo - ressaltou a relevância do projeto antigranizo para o setor. “Trata-se de um investimento estratégico para a vitivinicultura, pois contribui diretamente para a segurança econômica dos produtores, reduz as perdas provocadas por eventos climáticos extremos e fortalece a permanência dos viticultores na atividade. Além disso, o projeto beneficia a indústria, ao proporcionar maior previsibilidade quanto ao volume de produção, favorecendo o planejamento, a competitividade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva”, garantiu.
Integraram a comitiva os municípios de Alto Feliz, Feliz, Antônio Prado, Bento Gonçalves, Campestre da Serra, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Ipê, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, Pinto Bandeira, Santa Teresa, São Marcos, Vale Real, São Francisco de Paula, Vespasiano Corrêa, Guaporé e Dois Lajeados.