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18/05/2026

CISGA debate eletrificação da frota e pavimentação sustentável em jornada sobre transição energética

Evento destacou ganhos econômicos e ambientais da eletromobilidade e do uso de pavimento de concreto nas cidades da Serra Gaúcha

O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) promoveu na quarta-feira (14) o segundo encontro da Jornada de Transição Energética nos Municípios, ciclo técnico de debates online voltado à apresentação de soluções sustentáveis, economicamente viáveis e aplicáveis às administrações municipais.

Com o tema “Pavimentação e Eletrificação da Frota Especial”, o encontro reuniu gestores públicos, representantes da sociedade civil e especialistas para discutir alternativas ligadas à mobilidade urbana, eficiência energética e infraestrutura viária. Participaram da programação o diretor comercial da Arrow Mobility, Claude Padilha, e o engenheiro civil e consultor técnico da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Jacson Pacheco.

A jornada é composta por três encontros online. O primeiro, realizado em 29 de abril, tratou sobre “Eletrificação de Equipamentos Municipais”. O encerramento ocorre no próximo dia 20 de maio, com debate sobre eficiência energética, iluminação pública e saneamento.

Durante a abertura, o diretor executivo do CISGA, Rudimar Caberlon, destacou a importância da atuação regionalizada para ampliar a capacidade dos municípios na implementação de políticas públicas. Segundo ele, iniciativas desenvolvidas de forma integrada permitem ganho de escala, redução de custos e compartilhamento de experiências entre as administrações municipais.

Caberlon afirmou ainda que muitos projetos se tornam inviáveis quando executados isoladamente. Como exemplo, citou ações regionais nas áreas de turismo e políticas públicas compartilhadas entre municípios da Serra Gaúcha.

Na palestra sobre mobilidade elétrica, Claude Padilha ressaltou que a eletrificação da frota pública representa uma tendência mundial impulsionada pela necessidade de reduzir emissões de carbono, diminuir custos operacionais e melhorar a qualidade de vida nas cidades.

O representante da Arrow Mobility apresentou veículos elétricos desenvolvidos em Caxias do Sul voltados ao transporte de passageiros, transporte escolar e logística urbana. Conforme Padilha, os modelos possuem capacidade para até 20 passageiros e foram projetados para atender às necessidades dos municípios brasileiros.

Segundo ele, os veículos elétricos podem gerar redução de até 70% nos custos com energia e cerca de 35% nos custos de manutenção em comparação aos modelos movidos a diesel. Outro destaque foi a isenção de IPVA para veículos elétricos no Rio Grande do Sul.

Padilha também enfatizou que a adoção da tecnologia elétrica contribui para a redução da emissão de gases poluentes e do ruído urbano. Ele observou que o avanço da infraestrutura de recarga e a evolução das baterias têm tornado o sistema mais seguro e economicamente viável.

Durante o debate, participantes questionaram sobre a adaptação dos veículos às condições das estradas da região, especialmente em áreas sem pavimentação. Em resposta, Padilha explicou que os modelos foram desenvolvidos com estrutura reforçada e suspensão adequada para enfrentar diferentes condições de uso, além de contarem com acompanhamento técnico e assistência direta da fábrica.

Na sequência, o engenheiro Jacson Pacheco apresentou palestra sobre pavimentação em concreto como ferramenta de sustentabilidade e eficiência urbana. Ele destacou a relação entre infraestrutura viária, consumo energético e desenvolvimento de cidades inteligentes.

Segundo o especialista, a transição energética vai além da substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por modelos elétricos. Conforme explicou, a qualidade da infraestrutura viária influencia diretamente no consumo energético, na autonomia dos veículos e nos custos operacionais das frotas.

Pacheco afirmou que pavimentos irregulares aumentam o desgaste dos veículos, elevam o consumo de energia e reduzem a eficiência operacional. De acordo com ele, o pavimento de concreto apresenta vantagens estruturais em relação ao asfalto, principalmente por não formar trilhas de roda e possuir menor deformação superficial.

“Quanto menor a deformação do pavimento, menor a energia necessária para movimentar o veículo”, destacou.

O engenheiro ressaltou ainda que veículos elétricos são mais sensíveis à resistência do rolamento, tornando a qualidade do pavimento um fator importante para ampliar a autonomia das baterias e reduzir o consumo energético.

Outro ponto abordado foi a sustentabilidade ao longo do ciclo de vida das obras públicas. Segundo Pacheco, o pavimento de concreto pode ter vida útil superior a 20 anos, enquanto o asfalto necessita de intervenções mais frequentes. Conforme explicou, a redução das manutenções diminui interrupções no trânsito, reduz emissões de CO2 e gera economia para os municípios.

O representante da ABCP também apresentou iniciativas da indústria do cimento voltadas à redução dos impactos ambientais, como a diminuição do uso de clínquer — principal responsável pelas emissões de CO2 no processo produtivo —, a utilização de resíduos industriais e a substituição de combustíveis fósseis por biomassa e resíduos reaproveitados.

Conforme os dados apresentados durante a palestra, a indústria do cimento representa cerca de 7% das emissões globais de CO2. No Brasil, esse índice é de aproximadamente 2,3%.

Outro destaque foi a contribuição do concreto para o conforto térmico urbano e a eficiência energética. Segundo o engenheiro, o material possui maior capacidade de reflexão da luz, reduzindo a necessidade de iluminação pública e contribuindo para diminuir a temperatura em áreas urbanas.

O debate também abordou a necessidade de reconstrução de cidades com foco em resiliência climática após os eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul. Pacheco defendeu que futuras obras sejam planejadas com materiais e técnicas mais resistentes a enchentes e variações climáticas.

Durante o encontro, representantes municipais questionaram os custos de implantação do pavimento de concreto. Em resposta, o especialista afirmou que o concreto já apresenta custo competitivo em relação ao asfalto. Segundo ele, enquanto o custo médio do pavimento asfáltico gira em torno de R$ 3,5 milhões por quilômetro, o pavimento de concreto pode ficar abaixo de R$ 3 milhões, dependendo das características da obra.

Ao final do encontro, o secretário-executivo do CISGA, Rudimar Caberlon, destacou a possibilidade de desenvolvimento de parcerias público-privadas utilizando a economia operacional gerada pela eletromobilidade para custear investimentos em transporte e infraestrutura.

O terceiro e último encontro da Jornada de Transição Energética nos Municípios será realizado no próximo dia 20, às 9h, em formato online. O tema será “Eficiência Energética, Iluminação Pública e Saneamento”, com foco em projetos estruturantes, sustentabilidade nas contratações públicas e possibilidades de financiamento em escala.

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