Representantes de municípios da Serra Gaúcha participaram de encontro promovido pelo Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) para discutir projetos voltados à adaptação climática, recuperação ambiental, gestão regionalizada e modernização do licenciamento ambiental. A reunião contou com a presença de gestores, técnicos e especialistas para alinhar estratégias conjuntas e ampliar a integração entre os municípios da região.
Um dos temas debatidos foi o andamento do Projeto Adapta Cidades, iniciativa coordenada pelo Ministério das Cidades em parceria com o Governo do Estado, que busca desenvolver planos de adaptação e resiliência climática nos municípios brasileiros. Durante a reunião, foi destacado que o Rio Grande do Sul está entre os estados selecionados pelo programa e optou por desenvolver os planos de forma regionalizada, por meio de associações e consórcios municipais.
Segundo os participantes, o objetivo é construir estratégias integradas que dialoguem com a realidade da Serra Gaúcha e tragam soluções práticas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. A proposta prevê a elaboração de planos municipais e regionais voltados à redução de riscos, organização territorial, preservação ambiental e fortalecimento da resiliência urbana.
A doutora Vanessa Prestes participou da reunião apresentando orientações técnicas sobre o projeto e detalhando as etapas necessárias para cumprimento das metas e prazos estabelecidos pelo programa federal. Conforme explicou, os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos reforçam a necessidade de transformar a adaptação climática em política pública permanente.
Entre os temas abordados estiveram o uso sustentável do solo, ampliação de áreas verdes, soluções baseadas na natureza, tecnologias de baixo carbono, mobilidade urbana sustentável e planejamento integrado entre os municípios. Também foi destacada a importância da utilização de dados técnicos já disponíveis em órgãos como CPRM, CEMADEN e Defesa Civil para orientar decisões e ampliar a capacidade de resposta das cidades diante de eventos extremos.
Os representantes municipais também discutiram a necessidade de criação de um banco regional de dados e de fontes de financiamento, reunindo informações sobre programas estaduais e federais voltados à adaptação climática e prevenção de desastres. A intenção é facilitar o acesso dos municípios a editais e recursos para execução de projetos estruturantes.
Outro tema em pauta foi a execução dos Planos Municipais da Mata Atlântica, desenvolvidos em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS). Técnicos relataram dificuldades relacionadas a prazos e levantamentos de campo, mas também destacaram avanços obtidos com a elaboração de legislações ambientais, audiências públicas e diagnósticos técnicos em áreas urbanas e rurais.
O CISGA também apresentou propostas para implantação de planos regionais de arborização urbana, com georreferenciamento, mapeamento de espécies e orientações técnicas para manejo, substituição e preservação de árvores. Durante os debates, os participantes alertaram ainda sobre a responsabilidade das concessionárias de energia elétrica na realização de podas em áreas de servidão, orientando os municípios a evitarem assumir atribuições que cabem às empresas concessionárias.
Na área de resíduos sólidos, foi relatado sobre o andamento do projeto regional de concessão do manejo de resíduos urbanos e suas etapas técnicas e consultas públicas previstas para próximos meses.
A reunião também tratou da implantação de um modelo regionalizado de licenciamento e fiscalização ambiental via CISGA. A proposta prevê a criação de uma equipe técnica consorciada, formada por analistas ambientais e especialistas, além da implantação de um sistema informatizado integrado para análise de processos ambientais.
Segundo os gestores, o modelo busca garantir maior segurança jurídica, padronização e agilidade nos licenciamentos, além de reduzir custos para os municípios. Como exemplo, foi citado o caso de cidades que atualmente investem cerca de R$ 21 mil mensais em serviços terceirizados e que poderiam reduzir os custos para aproximadamente R$ 11 mil dentro da estrutura compartilhada.
A iniciativa tem como referência experiências já implantadas em outros estados, especialmente em Santa Catarina, por meio do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Médio Vale do Itajaí (CIMVI). O sistema também deverá utilizar recursos tecnológicos e inteligência artificial para auxiliar na análise preliminar de documentos e processos.
Conforme o CISGA, a proposta já foi apresentada aos prefeitos da região e deverá ser encaminhada às prefeituras para análise jurídica e posterior votação nas câmaras de vereadores. Os participantes destacaram que a regionalização da gestão ambiental representa uma mudança de paradigma e dependerá da participação conjunta dos municípios para sua consolidação.