O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA) está desenvolvendo um projeto para apoiar os municípios na adaptação às mudanças climáticas. A iniciativa prevê a identificação de áreas vulneráveis, a definição de prioridades e a elaboração de estratégias para prevenir e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
O trabalho utiliza como referência a metodologia do programa AdaptaCidades, adaptada à realidade regional, e prevê a criação de uma base comum de dados e indicadores para subsidiar o planejamento municipal. Os municípios de Farroupilha, Carlos Barbosa e Veranópolis serão utilizados como referências iniciais para a aplicação da metodologia.
A proposta reúne informações de bases oficiais, estudos existentes e levantamentos municipais, permitindo uma análise integrada dos riscos e das características de cada território.
Já foram realizadas duas reuniões, uma em Farroupilha e outra Carlos Barbosa. O próximo encontro ocorrerá em Veranópolis. Em novembro, será apresentada aos municípios a primeira versão do plano.
A advogada, doutora e mestre em Direito e especialista em Direito Ambiental, Vanesca Buzelato Prestes, coordenadora da equipe técnica responsável pelo projeto, destaca que a adaptação climática exige integração entre diferentes áreas da administração pública. Questões relacionadas ao meio ambiente, à saúde, à mobilidade urbana, à agricultura e ao ordenamento territorial precisam ser planejadas de forma conjunta.
O biólogo Thiago Henkes explicou que o planejamento regional prevê a integração de informações das diferentes secretarias municipais para identificar áreas de risco, populações vulneráveis e serviços e atividades econômicas expostos a eventos extremos.
Entre os aspectos analisados estão alagamentos, inundações, movimentos de massa, estiagens e ondas de calor. A participação dos municípios é fundamental para validar as informações, corrigir eventuais inconsistências e incorporar o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente nos territórios.
Com base nesse levantamento, serão definidas cinco prioridades para orientar ações e projetos. Entre as alternativas estão soluções de infraestrutura verde, preservação de áreas permeáveis, planejamento de rotas de fuga em situações de emergência e medidas para reduzir os impactos de eventos climáticos.
O projeto também prevê a identificação de fontes de financiamento que possam viabilizar as iniciativas, oferecendo aos municípios subsídios para elaborar propostas e buscar recursos.
Com prazo previsto de seis meses, o trabalho busca gerar resultados práticos para a gestão pública. As informações consolidadas serão incorporadas a uma plataforma regional contratada pelo CISGA, com possibilidade de atualização periódica e acesso pelos municípios, contribuindo para o planejamento integrado e o fortalecimento das estratégias regionais de adaptação climática.